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    Psicóloga Laura Amaral fala sobre como lidar com frustrações pós-ano novo

    Na edição do Jornal Diário do Pará deste domingo (04/01), Laura Amaral foi entrevistada para falar sobre Saúde Mental. Segue trecho da reportagem:

    A psicanalista e psicóloga clínica Laura Amaral considera que o início do ano costuma funcionar como um marco simbólico muito potente. Porém, o problema surge quando se espera que o tempo cronológico produza, sozinho, mudanças subjetivas.

    “Quando a rotina retorna e percebemos que conflitos, limites e impasses permanecem é comum surgir frustração ou irritabilidade. Essa angústia pode revelar uma dificuldade em lidar com o fato de que a vida psíquica não se reorganiza somente por datas, mas por processos, muitas vezes lentos e atravessados por ambivalências.”

    CAMINHOS

    Tendo isso em mente, é possível encontrar caminhos para equilibrar expectativas e a realidade. Laura acredita que o primeiro passo pode estar justamente em deslocar a expectativa do ideal para o possível no real. 

    “A virada do ano costuma produzir ideais de que devemos ser mais produtivos, mais felizes, mais realizados. Isso gera um excesso de cobrança e pouco espaço para a escuta. Uma forma mais saudável de lidar com esse momento pode ser transformar exigências em questionamentos: em que momento da minha vida eu estou hoje? Para além do calendário, podemos pensar no momento existencial de cada pessoa”, acredita.

    “A urgência nos leva a acreditar que mudar é uma decisão rápida, quando, na verdade, mudar implica elaborar perdas, rever identificações e suportar o novo. Preparar o emocional para isso implica em ceder da lógica do “tudo ou nada” e aceitar processos muitas vezes parciais, imperfeitos, porém consistentes. Pequenos deslocamentos, quando estão alinhados com o desejo, costumam ser muito mais transformadores do que grandes resoluções idealizadas.”

    Considerar a retomada da rotina apenas como uma imposição também pode tornar esse retorno mais pesado, portanto, uma atitude importante pode ser permitir uma retomada que reconheça o tempo necessário que tanto o corpo, quanto a mente, precisam para se reorganizar.

    “Também é um bom momento para observar o que na rotina ainda faz sentido. A volta não precisa ser um retorno automático ao que era antes, ela pode ser um convite à reflexão”, avalia Laura Amaral.

    “Recomeçar não significa romper com a própria história, mas se situar com novos significados diante dela. A elaboração de um novo caminho surge quando conseguimos olhar para o caminho percorrido, com suas faltas, repetições e conquistas. Respeitar o próprio ritmo é aceitar que cada sujeito tem um tempo singular para mudar, desejar e sustentar escolhas. Talvez o mais importante nesse início de ano não seja construir listas perfeitas, mas se aproximar de perguntas genuínas sobre o tipo de vida que se deseja sustentar com o tempo e a energia disponíveis.”